quinta-feira, 31 de março de 2011

ÍNDIOS


Minhas concepções sobre Educação Indígena não mudaram, creio que só se concretizaram, nosso país tem uma história pautada em exploração, abusos e desmandos desde a chegada dos primeiros navios o pensamento foi só de conseguir o máximo usando mão de obra escrava . Os colonizadores chegaram e se depararam com tudo de melhor, riquezas e possível mão de obra escrava, os índios, a cultura indígena foi considera selvagem, é mais fácil achar que o diferente é errado e também mais cômodo pois justificasse toda violência com o argumento de estar ensinando a ser civilizado e foi assim que começou, era preciso educar o índio para o trabalho então entram em cena os jesuítas que catequizaram os indígenas na doutrina cristã e à prática agrícola, o que a meu ver não foge muito do ensino neoliberal que procura atender os interesses do capitalismo, é as coisas de modo geral não mudaram muito! Como tudo relacionado a Educação no Brasil e a Escola Indígena não foge a regra, mudanças ocorreram de forma lenta e muitas vezes experimentais, em 1970 o Centro de Trabalho Indígena realizou um projeto chamado “O Retorno à Abundância” com o objetivo de resgatar a cultura indígena mas sua proposta era alfabetizar os índios na língua portuguesa e ensinar as operações básicas de matemática, o que ainda hoje é realizado em alguns grupos indígenas, pois considerava que assim eles seriam melhor atendidos nas cidades, o que não deixava de ser uma verdade mas isso é resgatar a cultura indígena ou se render a cultura dos considerados “civilizados”? Para mim isso só vem reforçar um desrespeito a diversidade cultural, a perda da identidade étnica indígena e valoriza a cultura das classes dominantes. A FUNAI com seu método tradicional, distante do cotidiano das aldeias indígenas, onde não há envolvimento por parte do professor com o cotidiano dos índios ao meu ver não garante uma aprendizagem significativa mas sim armazenamento de dados. Já as ONGs que atuam na Educação Indígena procuram respeitar a cultura indígena e também colocar os índios em contato com informações do “mundo civilizado” o “mundo dos brancos” inclusive ensinando-os a dirigir, tudo na própria aldeia onde também reside o professor. Esse modelo ao meu ver é o melhor pois respeita a organização, a tradição , os costumes a cultura do povo indígena colocando-os também a par de outras culturas e tecnologias, é o mais justo num mundo globalizado. Com relação a forma de pensar dos índios sobre a morte ,sei que para algumas tribos matar uma criança deficiente é simplesmente garantir uma linhagem forte, sadia que vai servir ao seu povo, a tal lei dos mais fortes, mas de tudo o que eu li o que não fazia parte das minhas concepções é pensar para a FUNAI isso também vale pois para mim antes de tudo devemos preservar a vida, ela é o que a de mais sagrado.

LIBERDADE DE QUEM?


Podemos pensar Liberdade como uma incógnita, uma palavra que nos remete primeiramente a sensação de poder de escolha, de direitos adquiridos, acima de tudo de vontade própria garantida, mas se pararmos para refletir ficaremos com um questionamento em nossas mentes: possuímos a liberdade ou ela nos possui? E isso causa medo pois é preciso sabermos discernir entre o certo o errado, não do meu ponto de vista mas do ponto de vista coletivo, não é fácil respeitar a fronteira entre os meus interesses e os interesses de terceiros, até onde vai a minha liberdade, não estou acima dos outros, dos direitos alheios, não sou o dono da verdade. Achamos que somos livres em nossas decisões, em nossas escolhas, ao consumirmos temos plena convicção que é a nossa preferência e poder aquisitivo que conta mas não percebemos, ou fingimos que não percebemos, o poder que a mídia exerce sobre nossas escolhas e nos manipula como marionetes e nos leva a realizar exatamente o que suas mensagens premeditaram.

Isso vale para tudo em nossas vidas, não somos obrigados mas com certeza somos induzidos em nossas decisões, repetimos bordões, gestos, cortamos os cabelos, compramos nossas roupas, nos cobramos sobre nosso biótipo, escolhemos marcas, discriminamos ou aceitamos comportamentos e situações de acordo com o contexto que nos transmitem e tudo achando que fazemos com liberdade e quem ninguém nos induz a nada. Homossexualidade, questão delicada a união legal de pessoas do mesmo sexo é proíbida no Brasil mas a eles têm assegurado o direito a adoção de uma criança desde que provem que têm uma vida estável , que liberdade distorcida não pode casar mas pode adotar, uma família se forma mas a união do “casal” não é legalizada. Em que momento o estado pode legitimamente interferir na liberdade do cidadão? Será que a liberdade da maioria da população é a mesma da minoria classe dominante. os pobres , os negros, os homossexuais, as mulheres, enfim todos têm liberdade desde que não vá de encontro com os interesses de quem detêm o poder. Liberdade “autonomia” ou “ausência de submissão”? depende do que querem que acreditemos. Quando optamos ficar em casa, com medo de assaltos, balas perdidas, violência sexual, entre outras barbaridades que já estão fazendo parte da rotina da população como se fosse situação do cotidiano e não atrocidades, estamos exercendo nossa liberdade de escolha ou estamos sem direito a ela? De dentro de uma cadeia de segurança máxima um chefão do trafico talvez tenha mais liberdade do que nós “pessoas livres” pois de lá de dentro ele tem o poder sobre nossas vidas, “liberdade” de escolher entre aterrorizar, matar, deixar viver, sequestrar.

Será então que os políticos têm a liberdade da indiferença? Que poder tem essa palavra LIBERDADE poder de comandar vidas. Então a auto proteção talvez seja a única justificativa para que uma pessoa venha a interferir na liberdade do próximo.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL


Educação Ambiental ultimamente se fala muito sobre o assunto, mas será que se coloca em prática tudo que se fala? Apesar de fazer parte dos Parâmetros Curriculares Nacionais ainda é tida por muitos como um tema que deve ser abordado somente nas áreas de Ciência e Biologia, talvez isso ocorra porque os professores não adquiriram em sua formação conhecimento sobre a amplitude que esse tema aborda, pois estamos tratando da qualidade de vida, estamos tratando da preservação da nossa casa “o planeta Terra”, portanto é responsabilidade de todos e deve ser mediado por todas as disciplinas de maneira a garantir a interdisciplinaridade. Para Paulo Freire a história é feita pelos homens ao mesmo tempo em que os homens se fazem pela história, e que história estamos escrevendo , desenhando, para as próximas gerações? É muito fácil julgar e culpar os outros pelos problemas ambientais que estamos sofrendo como enchentes, deslizamentos, muitas vezes até Deus é responsabilizado “É a vontade de Deus”, o que estamos passando para nossos alunos?

Só teoria não é capaz de transformar uma situação, para Marx segundo Vazquez 1977, “Práxis é atitude humana transformadora da natureza e da sociedade”, então precisamos colocar em prática a teoria para que com responsabilidade e autonomia possamos construir uma relação harmônica entre homem e ambiente.

Devemos nos conscientizar que a Educação Ambiental não é algo dissociado da Educação e sim uma de suas dimensões (Tozoni- Reis), que requer um processo pedagógico organizado para atingir seu objetivo, fazendo para isso mediações existenciais entre o “eu”, “meu semelhante” e a “natureza”, num processo de relação entre o homem com o ambiente onde princípios devem estar presente. É importante que o professor realize seu trabalho visando a formação de alunos capazes de analisar as situações de forma critica e questionadora, capazes de fazer a diferença.

Trabalhar um projeto sobre Meio Ambiente não se limita a dar um explicação sobre algum tema e mandar fazer um desenho, por exemplo, isso é uma atividade pontual, se queremos mudar hábitos, construir valores e formar cidadãos capazes de transformar a realidade, conscientes de seu papel na sociedade e de seus direitos e deveres, devemos nos desprender das amarras e aceitar que sendo um dos Temas Transversais Meio Ambiente deve ser incorporado em todas as áreas do conhecimento assim como no trabalho educativo da escola. Para que um assunto tenha significado para a criança o ideal é abordar questões a partir de situações de sua realidade, do que esta próximo, as características, necessidades, possibilidades do local em questão e a partir daí inseri-lo numa visão global.

Como falar de Desenvolvimento Sustentável de forma ampla sem antes relacioná-lo com problemas vivenciados pela comunidade local, “desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”, PCN p.38.

Para que colocar lixeiras de cor diferenciada nas escolas visando a reciclagem do lixo sem antes fazer um trabalho de conscientização com as crianças, explicando o que é reciclar quais suas vantagens, o por que dos recipientes diferenciados, infelizmente na maioria das cidades não há a coleta diferenciada o que pode por a perder todo trabalho das escolas com relação aos recipientes de lixo, onde trabalho uma alternativa foi a própria escola procurar dar um destino correto ao lixo vendendo tudo que consegue e destinando o dinheiro a benfeitorias para as próprias crianças, como conservação e manutenção dos brinquedos da área de lazer, assim elas conseguem perceber que há um ciclo e que quanto mais elas ajudam respeitando as regras de separação do lixo maiores serão as benfeitorias conseguidas, sentem-se parte ativa num processo, houve também um trabalho de observação sobre a melhoria do ambiente coletivo, principalmente o pátio da escola a partir daí as próprias crianças tiveram a iniciativa de fazer cartazes visando ajudar a limpeza da escola como um todo, banheiro, classe, refeitório, e uma coisa vai levando a outra. Ao abordar um tema é importante que o professor conheça o assunto para ter segurança no que transmite e esteja em constante atualização, buscar junto com seus alunos mais informações em publicações e meios tecnológicos é um excelente recurso para garantir o dialogo, a troca de conhecimento entre professor e aluno, possibilitando também que a criança tenha condições de conhecer melhor o meio do qual faz parte e perceba sua importância como agente ativo e transformador e que reconheça que a qualidade de vida está ligada a atitudes cotidianas

GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL


São as construções sociais que classificam as pessoas em determinado gênero vinculando à eles valores e assim é que surgiu a divisão dos seres humanos em homens e mulheres, desconsiderando a diversidade e predominando as diferencias anatômicas e sexuais e assim, desde o início da história a construção dos gêneros em diferentes organizações sociais, ocorreu através da produção de diferenças e desigualdades, o que ocorre gradualmente desde a infância fortemente influenciado pela educação familiar.

Homens e mulheres constroem seu modo de ser e de sentir sua identidade, a partir de parâmetros sociais compartilhados por muitos.

A escola é um espaço com a tarefa fundamental de trabalhar visando superar a discriminação e violência àqueles que são considerados diferentes.

Aos professores cabe um olhar crítico sobre as relações de gênero e combater a educação sexista e a intolerância.

Uma escola inclusiva deve trabalhar visando que haja respeito em sala de aula diante das diferenças, deve ser um espaço acolhedor com ideal de superar as desigualdades sociais, não deve se omitir diante da compreensão da sexualidade como direito humano, assunto trabalhado nos PCNs no que diz respeito aos Temas Transversais.

O professor deve aproveitar todas as oportunidades para dialogar com seus alunos sobre padrões, caso contrário poderá ser um agente da manutenção de uma hierarquia social de preconceitos e injustiças e que pode punir os considerados fora do padrão para as classes dominantes. A homofobia na escola leva ao afastamento, rejeição e humilhação.

Precisamos trabalhar de forma consciente e segura visando quebrar esse ciclo que está envolvendo nossos alunos de forma sufocante, as crianças estão expostas às influências do meio, pois nada é inerte, estático, então precisamos estar ciente da importância do nosso papel de educadores comprometidos em superar as desigualdades

EDUCAÇÃO NO CAMPO


A educação no campo tem sido, devido a nossa história colonizadora, um desafio, pois os trabalhadores rurais, muitas vêzes são tratados como desiguais, aqueles que são incapazes de pensar ou agir por si próprio e que precisam, por ter pouco conhecimento sobre o mundo, seguir determinações da classe dominante.

O pensamento urbano quase sempre é que para as pessoas da zona rural não é necessário mutio conhecimento, o básico basta. A própria LDB aborda exclusivamente para a educação no campo a educação básica sem dar prosseguimento ao nível superior uma formação precária que serve à lógica do capitalismo.

A popualçao rural enfrenta desvantagens com relação à população urbano no tocante à direitos sociais e devido a ilusão de uma vida melhor a partir da última metade do século passado houve o exôdo rural, aonde as pessoas do campo vieram para a zona urbana, quase sempre se instalando nas periferias das cidades, mas muitas dessas pessoas devido a sua cultura e valores não conseguiram se adaptar à cidade e acabaram se sentindo excluídas.

Em termos de melhorias e investimentos o estado pouco fez pelas escolas afastadas da cidade, onde o professor é tido como o grande responspável para que tudo dê certo.

PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA


A Pedagogia da Alternância intercala um período do ano letivo em sala de aula e outro no campo, visando evitar a evasão escolar. Segundo uma reportagem da revista Nova Escola esse método precisa de mais estudo, pois apesar de dar oportunidades aos jovens e adultos do campo pode também acentuar a separação cidade e campo. Na pedagogia da alternância o aluno passa um período integral na escola onde ele vai aprender não só as matérias regulares, mas também como melhor aproveitar os recursos do campo, e outro período ele vai para casa com o intuíto de colocar em prática os conhecimentos adquiridos no período em que os alunos não estão na escola e os professores preparam suas aulas e elaboram projetos a serem realizados.

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS



Projeto para a Educação de Jovens e Adultos elaborado por Ana Carmem Mirando Silva da Universidade Federal Rural de Pernambuco UFRPE. Alfabetizar para preservar o meio ambiente e resgatar o saber popular. O projeto está pautado em alfabetizar jovens e adultos unindo ciência e o saber popular no exercício da educação tranformadora a partir de atividades criativas, libertadoras da opressão social. É um projeto viavel pois está voltado à necessidade de sobrevivência do nosso planeta e portanto a da nossa qualidade de vida. Tem por princípio alfabetizar inserindo o saber popular, exercendo as práticas sociais envolvidas com a cultura científica, para isso é necessário um trabalho conjunto, escola, família e comunidade. Um trabalho que busca a valorização do cidadão, seus conhecimentos e habilidades, trabalhando questões ambientais como água, saneamento básico, ecossistema, biodiversidade, natureza e mudanças de hábitos e atitudes. Através de fotos mostra aos alunos os aspectos positivos e negativos da ação do homem no nosso planeta e a valorização de sua preservação, assim como a necessidade de sua sobrevivência, tornar a alfabetização e o alfabetizando agentes transformadores, com atitudes de um preservador que conseque identificar e saber onde está o problema e cria meios para eliminá-lo, agentes realmente participativos e ativos na construção de uma nova sociedade.

ALFABETIZAR PARA PRESERVAR O MEIO AMBIENTE


Alfabetizar com significado, com qualidade, é dar condições para o exercício consciente da cidadania, é propiciar ao indivíduo a capacidade de interpretar, compreender, criticar e principalmente de resignificar o mundo através de um uso social dos seus conhecimentos, alfabetizar não é apenas desenvolver a habilidade mecânica de decodificar ou codificar símbolos. O projeto "Alfabetizar para a preservar o meio ambiente" vem atender todos esses requisitos. É um projeto que não se limita a transmitir conceitos, ele visa mudar posturas sempre partindo dos conhecimentos prévios dos alunos, respeitando suas hipóteses, tendo como ponto de partida o estudo do local onde vivem, as lembranças de cada um, num trabalho de comparação e argumentação crítica sobre como era e como está o bairro onde vivem, a cidade, o país e por fim o planeta. É educar para preservar, orientar que os recursos naturais podem ser usados de forma sustentável promovendo competência e habilidade para atuação na construção de uma nova sociedade. Na região de Porto Feliz são realizadas muitas queimadas devido ao plantio da cana-de-acúçar e é muito importante os alunos terem conhecimento de todo o prejuízo ambietal que isso acarreta. Diante da realidade do nosso planeta, onde muito se fala sobre desenvolvimento sustentável mas pouco se faz, onde interesses financeiros são prioridade, trabalhar um projeto que dá a oportunidade aos alunos de terem uma visão mais ampla sobre a importância do papel de cada um para que o planeta sobreviva ao meu ver não tem pontos negativos pois todo movimento voltado à manutenção da vida é positivo.

terça-feira, 29 de março de 2011

DESIGUALDADE NA EDUCAÇÃO

O Brasil é o país campeão na desigualdade social. O contraste apresentado, principalmente nas grandes cidades é assustador. Enquanto uns desfilam com seus carros importados e gastam quantias enormes apenas numa festa, a grande maioria está vivendo em condições subumanas. Há muito tempo o grande desafio da nossa nação é reduzir a desigualdade social, trazer mais dignidade a grande maioria. Para que isso ocorra é necessário que todos tenham condições dignas de moradia, educação, segurança, emprego e saúde. Tais temas são muito debatidos na época das eleições, mas depois ficam mais quatro anos esquecidos. O último governo conseguiu algum avanço social, mas ainda existe muito que fazer para que o Brasil reverta este quadro. As diferenças entre as pessoas estão basicamente ligadas ao poder econômico de cada uma delas, porque num país onde a educação, saúde e segurança, não atingem a excelência, apenas vivem bem aqueles que podem pagar particular. Esta contradição vem de longa data, desde o descobrimento do país, pois era para povoar o Brasil que mandavam os excluídos da sociedade Européia. Em seguida para o trabalho foi mandado para o Brasil um povo guerreiro, os Africanos, que vinham para trabalhar como escravos. A escravidão no Brasil durou até 1888. A partir de então os imigrantes, que sem ter como conseguir uma vida digna no seu país vieram para o Brasil em busca de novas oportunidades. A escravidão acabou, mas para onde foram os ex-escravos? Os descentes deste povo ainda estão na nossa sociedade gritando por igualdade social, e pedindo o fim da discriminação que sofrem por conta da sua cor de pele. Os imigrantes foram enganados pelos grandes latifundiários. Vieram para o Brasil com falsas promessas e sofreram por muitos anos para tentar se libertar da escravidão que para eles eram impostas. Hoje são pessoas simples que vivem na nossa sociedade. Alguns permaneceram na zona rural e outros migraram para os grandes centros e trabalham nas mais diversas áreas. Com tudo isso quem saiu ganhando nos longos anos de história foi a classe dominante, proprietários e latifundiários que se acostumaram a acumular riquezas. Na História da Educação do Brasil, as coisas não foram diferentes. Os Jesuítas iniciaram seu trabalho, mas logo foram expulsos do país e a educação sofre até hoje os prejuízos da expulsão dos Jesuítas. As escolas no século 19 e 20 eram para poucos. Os filhos dos pobres tinham que aprender a ler e escrever e efetuar as quatro operações básicas, pois não necessitavam saber mais do que isso, para ocupar as funções subalternas impostas pela sociedade. A partir do antigo ginasial (atual sexto ano), a educação era extremamente excludente. Somente após os anos 90 que a universalização da educação básica passou a ser uma realidade, mas para chegar nisso vivemos 500 anos de história. Hoje o país vem avançando na educação. Programas do Governo Federal como o PROUNI, trouxe um avanço muito grande para incluir os filhos dos pobres nas universidades. Com quinhentos anos de exclusão seria impossível o nosso país já ter resolvido o problema da desigualdade social. Um dia isso acontecerá. Esperamos ansiosos por este dia, que na certa ainda demorará um pouco.

EDUCAÇÃO INDÍGENA

O pensamento dos Jesuítas ao chegar ao Brasil foi acima de tudo catequizar os índios que para eles era um povo que não tinha conhecimento, em seu pensamento os índios eram como “animais” que precisavam ser domados. Demorou muito tempo para que se entendesse e começasse a haver um respeito para esses povos. Isso ocorreu quando a população indígena no Brasil representa um pequeno percentual. A partir da nova Constituição de 1988, os índios deixaram de ser considerados uma categoria social em vias de extinção e passaram a ser respeitados como grupos étnicos diferenciados, com direito a manter «sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições». Também a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional garantiu aos povos indígenas a oferta de educação escolar intercultural e bilíngüe. A Resolução n.º 3, de 10/11/1999, do Conselho Nacional de Educação, que fixa diretrizes nacionais para o funcionamento das escolas indígenas, define como elementos básicos para a organização, a estrutura e o funcionamento da escola indígena: I. sua localização em terras habitadas por comunidades indígenas, ainda que se estendam por territórios de diversos Estados ou Municípios contíguos; II. exclusividade de atendimento a comunidades indígenas; III. o ensino ministrado nas línguas maternas das comunidades atendidas, como uma das formas de preservação da realidade sociolingüística de cada povo; IV. a organização escolar própria. (art. 2º). O art. 3º determina que «na organização de escola indígena deverá ser considerada a participação da comunidade, na definição do modelo de organização e gestão, bem como: I. suas estruturas sociais; II. suas práticas socioculturais e religiosas; III. suas formas de produção de conhecimento, processos próprios e métodos de ensino-aprendizagem; IV. suas atividades econômicas; V. a necessidade de edificação de escolas que atendam aos interesses das comunidades indígenas; VI. o uso de materiais didático-pedagógicos produzidos de acordo com o contexto sociocultural de cada povo indígena.» A formulação do projeto pedagógico da escola indígena deverá considerar: I. as Diretrizes Curriculares Nacionais referentes a cada etapa da educação básica; II. as características próprias das escolas indígenas, em respeito à especificidade étnico-cultural de cada povo ou comunidade; III. as realidades sociolingüísticas, em cada situação; IV. os conteúdos curriculares especificamente indígenas e os modos próprios de constituição do saber e da cultura indígena; V. a participação da respectiva comunidade ou povo indígena. (art. 5º). A coordenação das ações escolares de educação indígena está, hoje, sob responsabilidade do Ministério de Educação, cabendo aos Estados e municípios a sua execução. A União deve apoiar técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas, desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa. Tais programas devem: ser planejados juntamente com as comunidades indígenas; prever a formação de pessoal especializado para atuação na educação escolar indígena; contemplar currículos e programas específicos à realidade da comunidade indígena; dispor de materiais didáticos específicos. Tardou para que viesse o respeito que os índios precisavam ter tido sempre, desde os tempos dos Jesuítas.

UMA ESCOLA QUE ACOLHE

A foto que ilustra a postagem é da EMEF Prof. Domingos de Marco na acolhida aos alunos no dia 07/02/2011. Quando pensamos em educação inclusiva não devemos nos prender a visão de pessoas com deficiência pois ela é aquela que procura dar espaço, dar voz, a todos aqueles que pelos mais variados motivos, como cor, sexo, religião, etc, são alvos de estigmas sociais. Uma escola com educação inclusiva é aquela que realmente acolhe, valoriza e respeita a diversidade e não aquela que tolera, como se estivesse fazendo um favor, os que são por ela considerados fora do padrão normal. Todo movimento, por menor que seja, visando uma transformação de comportamento e formação de valores sempre irá contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e a escola é um espaço privilegiado que deve implementar uma cultura do respeito às diferenças. Não é atoa que Pluralidade Cultural foi um dos temas transversais propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais ( Brasil, 1997) que propõem um questionamento sobre a formação do povo brasileiro, os diferentes costumes, religiões, as desigualdades sociais, preconceitos que muitas vezes são camuflados por uma falsa ideia de igualdade, enfim um país de pluralidade social e cultural. O preconceito não algo inato ele é aprendido e leva a discriminação, à exclusão e à violência. É preciso que façamos uma auto análise e reconheçamos nossos preconceitos e não camuflá-los com uma máscara de aceitação e de direitos iguais, só assim não teremos um discurso vazío sem credibilidade e podemos ter um convívio de respeito, de diálogo e troca com nossos alunos, o que não nos deixa livres do conflito, pelo contrário, mas é esse conflito de opniões que enriquece o trabalho e que nos permite argumentar sobre direitos e deveres, e procurar resolve-lo mostrando diferentes lados de uma mesma situação, os pontos positivos e negativos, sem violência mas sim de forma pacífica, promovendo a autocompreensão essa é a postura de um professor aberto a trabalhar uma educação inclusiva, um professor orientador, que promove o diálogo e a participação construtiva do aluno garantindo a interação professor-aluno. Sabemos que muitas vezes há um descontentamento por parte do professor ou do aluno o que pode causar indisciplina, sentimento de frustação e até violência física ou psicológica contudo nada melhor do que o diálogo para esclarecer situações conflitantes, posicionar atitudes e tomadas de decisões, se queremos realmente que nossos alunos aprendam precisamos ouvi-los, ter autoridade não é sinônimo de autoritarismo, de verdade absoluta, se queremos ser respeitados precisamos respeitar. A postura do professor pode colaborar ou não para o estimulo da esperança, quando se busca cotidianamente o saber, a verdade e a justiça visando a verdadeira humanização do homem e minimizando a violência, buscando sempre a cultura da paz. Quero comentar um ato de preconceito que sofri a alguns anos, bem eu sou uma das tantas professoras PEB 1 que fazem parte do convênio Estado/Município e escolhi minha sala em uma escola onde todas as professoras eram efetivas do município, meu Deus só eu sei o que passei, elas me consideravam um invasora, era como se eu fosse um ser diferente, intrusa e eu só estava gozando um direito, o direito de trabalhar, sofri rejeição e por muitas fui tratada como a desigual, mas com o tempo foram me conhecendo e tudo passou. Se para mim, pessoa adulta, não foi fácil devemos ficar atentos em nossas salas pois para nossas crianças é muito pior. Penso nos adolescentes, como a cabeça cheia de questionamentos, com tantas mudanças físicas se ainda tiverem que conviver com preconceitos, com bullying, tudo se torda um fardo e, sem alegria, sem prazer as coisas deixam de ter sentido.

UMA ESCOLA INCLUSIVA

Podemos dizer que estamos no caminho certo mas não podemos nos acomodar e achar que as coisas vão mudar da noite para o dia e sem a participação social cobrando que as leis saiam do papel, que a inclusão realmente seja uma realidade, que os professores recebam cursos de capacitação para atuarem nessa nova realidade, que as políticas educacionais estejam sempre acompanhando a globalização, as novas tecnologias, e tenham planos de ação adequados ao movimento de inclusão. Uma a escola para ser inclusiva precisa procurar promover situações e atitudes que mudem um comportamento negativo com relação ao diferente, quebrar tabus. Seu professor deve explorar as potencialidades de cada um, agir com e promover solidariedade, propiciar ao aluno, quando necessário atividades como reforço, sala de recurso. O Brasil está progredindo mas a passos lentos, ainda temos muito o que alcançar, ainda convivemos com elevado número de repetência e evasão, precisamos formar cidadãos éticos capazes de ler o mundo de forma crítica e isso só conseguiremos com uma educação de qualidade, com um número muito maior de jovens conseguindo cursar um ensino superior e com profissionais bem formados. Com relação à avaliação da educação ela tem sido por indicadores numéricos de produtividade de maneira exata, limitada, o que deixa a desejar pois não mede o processo educativo. O mais triste é saber que mesmo com esses resultados nas mãos não são os municípios que mais precisam os que recebem mais verbas. Quero fazer um paralelo com o bônus que alguns professores estaduais recebem, o que ao meu ver deve ser direito de todos independete dos resultados do SARESP, aqueles que trabalham nas escolas mais complicadas por falta de recursos, falta de funcionários, de difícil acesso, número elevado de alunos por sala e que por isso nem sempre tem um resultado considerado satisfatório não recebem nada, será que esses profissionais se sentem motivado para o próximo ano letivo? Gosto muito da frase da autora Benevides (1998, p. 157) que diz "numa sociedade verdadeiramente democrática ninguém nasce governante ou governado, mas pode vir a ser", isso só se define com uma educação de qualidade e segundo a autora voltada a democracia, com formação sólida nas diversas áreas do conhecimeto, com consciência ética e com uma educação comportamental desde a tenra idade. Então educação é muito mais doque resultados de avaliações, índices e comparações desses resultados, seu objetivo maior deve ser melhorar a vida das pessoas. Vou comentar algo que me aconteceu ainda esse ano, numa conversa informal com minha diretora eu falei algo que para mim era muito normal e verdadeiro e ela ficou parada pensativa e disse que nunca havia se tocado disso, bem o que eu disse foi que eu quero dar aula e ser feliz fazendo isso, acho que para minha aula ser produtiva e para motivar meus alunos eu tenho que gostar do que estou fazendo, gostar do ambiente escolar, só assim vai haver troca entre professor e aluno, ao meu ver só assim todos estaremos felizes pois se eu chegar de cara amarrada, explicar de forma mecânica sem envolvimento das crianças creio que não ocorrerá uma aprendizagem significativa. Precisamos nos posicionar com relação a educação pois ela não é neutra, está sempre atendendo interesses e se queremos realmente a universalização da educação com qualidade devemos lutar para que isso realmente aconteça. Paz e violência dois opostos tão presentes no cotidiano , o que quase todos mais anseiam é pela Paz mas o que mais nos cerca é a violência, seja ela verbal, moral, explicita ou implícita ela está sempre presente inclusive no ambiente escolar, por isso a escola deve enfocar a educação para a paz como meta a se atingida, transmitindo atitudes e valores num processo contínuo, numa convivência permeada pelo diálogo e pelo respeito a diversidade, a Cultura da Paz. Após breve relato sobre a universalização da educação com alunos do quinto ano, houve um momento de troca de conhecimentos onde eles foram questiondos sobre que idéia tinham do surgimento da escola, muitas foram as respostas mas a de uma garota me surpreendeu porque ela não se prendeu ao prédio estrutura física, ela falou que achava que a escola começou com alguém que queria transmitir seus conhecimentos, segundo ela "não queria que as coisas ficassem só com ele". A maioria achava que a escola sempre foi frequentada por quem tivesse vontade, independente de sexo, cor, contudo muitos comentaram que seus pais, quase todos trabalhadores rurais cortadores de cana, não puderam estudar muito pois precisaram trabalhar para ajudar a família.Questinados se conheciam alguém que nos dias atuais não frequenta a escola e o motivo, alguns comentaram o mesmo caso, um garoto da rua onde moram que já tem dezesseis anos e não terminou o quinto ano, falaram que ele começa estudar, obrigado pela mãe e pelo Conselho Tutelar mas que logo desiste, o motivo são as drogas das quais o garoto não consegue se livrar.

O DIREITO DE APRENDER DE TODOS E DE CADA UM

As pessoas não são iguais, somos todos diferentes e merecemos ser respeitados em nossas diferenças e temos que ter garantido nossos direitos, com relação a educação não só ao acesso a escola mas principalmente na qualidade de ensino. Gosto da pensamento de Santos (1.995) quando afirma que "temos direito à diferença, quando a igualdade nos descaracteriza". Me faz lembrar de um acontecido em uma escola que eu leciono quando ao escolher a cor do uniforme da fanfarra e das balizas foi sugerido, pelos alunos, pink e preto, alguns colegas ponderaram que a maioria das escolas do município usam as cores verde ou azul, então um colega falou "Se é para fazer igual melhor não fazer" e nós aceitamos a sugestão dos alunos e o desfile foi um sucesso, inclusive a foto é a ilustração da postagem. Se queremos pensar e fazer uma educação voltada à cultura da paz precisamos acolher as diferenças procurando atender as necessidades especiais de cada um, pois educação é um direito humano fundamental, num dos cursos de capacitação que participei o professor sugeriu que nós nos colocassemos no papel de alguém que possui uma deficiência física, eu tentei andar de cadeira de rodas e Meu Deus quanta dificuldade, que peso, é preciso ter uma força muscular muito grande para conseguir movimentar a cadeira, fui subir uma rampa e não consegui, a cadeira voltou, por isso é preciso estarmos sempre atentos para a forma como estamos tratando a inclusão pois se não atendermos as necessidades do educando corremos o risco de excluir ao invés de incluir, de acolher, de dar condições sem mimos facilitadores mas fornecendo recursos para que o aluno tenha condições de caminhar e progredir numa aprendizagem realmente significativa. Atos de desigualdade sempre ocorreram e sempre foram justificados de forma a torná-los aceitos pela sociedade, veja a história do Brasil com todo sofrimento e humilhação aos quais os negros foram submetidos e a igreja julgava correto porque eles eram seres que precisavam se purificar. O monopólio da igreja foi presente durante muito tempo na Idade Média mas no séc XVI com a refoma religiosa surgiram vários nomes, como o de Martinho Lutero, que defendia uma educação universal e pública mas isso não aconteceu pois o que ocorreu foi uma educação básica para a classe trabalhadora e uma educação diferenciada para a elite, o que não fica muito distante da educação dos tempos capitalistas onde os jovens das classes populares são preparados para o trabalho e os jovens da elite cursam os melhores universidades federais. Com a Revolução Industrial (séc XVII), na França, e a entrada de máquinas nas fábricas começaram as primeiras reivindicações de direitos entre eles o direito à escola pública e assim surge a escola tradicional, com influencia dos jesuítas, como uma solução para a ignorância e com a finalidade de transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade. Contrapondo-se a esse modelo surge Jean Jacques Rousseau que prioriza o aluno como criança e não com um adulto em miniatura era o Iluminismo mas continuamos tendo uma escola para o povo e outra para a elite.Não muito diferente da nossa realidade, hoje quem consegue pagar uma escola com mais recursos para seus filhos se não a elite. Até que no séc XIX surge o movimento da Escola Nova, na Europa e Estados Unidos, que se opunha ao modelo tradicional e visava ampliar o acesso a todos, nossa educação até o séc XX seguiu um modelo autoritário, excludente, os autos indices de analfabetismo começaram a incomodar então na Constituição de 1988 a educação passou a ser direito de todos e dever do Estado e da família, contudo já estamos no séc XXI e ainda não conseguimos garantir a universalização da educação não só no acesso mas na qualidade, no Brasil ainda há uma distorção entre valores proclamados e valores reais, ainda convivemos com a exclusão dos considerados fora do padrão homogeneizador mesmo com todo o avanço tecnológico a educação ainda tenta se livrar das marcas de uma história de educação tradicional. Educação como um direito humano fundamental? É o acesso a educação uma porta para a garantia de outros direitos pois umas pessoa letrada tem muito mais condições de lutar pelas suas realizações, de lutar por melhor distribuição de rendas, por uma vida mais digna, numa formação de cidadão consciente de sua importância individual e da importância da coletividade. Mas e nós professores estamos preparados para a democratização da educação? Fomos formados e preparados para a inclusão? Ao meu ver não pois somos frutos de uma educação tradicional mas isso não deve ser uma porta fechada para a nova situação que se apresenta, muito pelo contrário é uma oportunidade para repensarmos nossa prática, para refletir que diante de um mundo globalizado onde as pessoas têm acesso a todo tipo de conhecimento, onde se pode através da Internet conhecer todos os lugares numa viagem virtual, aceitar que pessoas não tenham direito a educação, nós professores também devemos cobrar do governo que nos de cursos de capacitação, que nos ajude a ter toda condição de fazer o melhor pelos nossos alunos, não podemos mais deixar que a história da educação no nosso país continue marcada pela desigualdade de oportunidades, o que vem se arrastando a anos com os negros, índios, mulheres, pobres, etc. Na Conferência Mundial sobre Educação para Todos na Tailândia, em 1990 e coma Declaração de Salamanca o governo brasileiro assumiu o compromisso de construir um sistema educacional de inclusão social. Então podemos pensar educação inclusiva e educação como um direito fundamental tendo como parâmetro a diversidade humana. Na última década muitos foram os documentos relacionados a compromissos com a educação mas o mais importante é que além do comprometimento com acesso, qualidade, igualdade houve uma determinação de prazos para que as coisas se concretizem.

HUMANIZAÇÃO

Gosto muito de estar com meus alunos. Como é importante o tato a sensibilidade tão peculiar no sexo feminino na humanização das regras, facilitando o convívio e transformando atitudes que futuramente se consolidarão em ações solidárias perante a sociedade, em sua obra o educador espanhol Xesus R. Jares já enfatiza a importância da solidariedade em nossa formação.

"OS JOGOS DA CIDADANIA"


Liberdade, Igualdade e Solidariedade são valores que podem sim ser trabalhados com nossos alunos pois eles têm condições de compreender e atuar de forma ativa na sociedade, um exemplo é quando trabalhamos projetos de combate a Dengue são as crianças nossos agentes multiplicadores, em Porto Feliz esse projeto é trabalhado de uma maneira muito legal pois é realizado associando esporte, saúde, lazer, higiene numa atividade que envolve toda a comunidade são "OS JOGOS DA CIDADANIA". Não gosto da frase que diz "A criança é o futuro" é como se ela estivesse num período de encubação só esperando crescer para poder agir, nossas crianças são ativas, participativas é só preciso motivá-las de forma correta, o professor não pode ter medo de deixar a criança falar, mas não é só isso ele precisa principalmente deixar a criança argumentar, expor suas hipóteses sobre as coisas, o professor precisa ouvir o que elas querem transmitir e dialogar. Nós adultos temos muito que aprender com as crianças elas olham para as coisas com naturalidade e nós com nossos valores transmitimos a estranhesa o desconforto , elas com toda a inocência nos perguntam coisas sobre o mundo e nós na nossa objetividade respondemos "Você ainda é criança para saber isso".Já estava no final da minha escrita de hoje mas não pude deixar de voltar e escrever algo que me ocorreu no início do ano letivo e que mostra essa diferença de olhares, logo na primeira semana de aula durante o intervalo dos pequeninos do primeiro ano eu estava com meus alunos de quinto ano no pátio quando veio até nós um garotinho com uma enorme cicatriz devido a queimadura eu olhei e confeço fiquei chocada não era algo bonito de se ver, então um dos meus veio até mim e com a maior naturalidade falou " Você viu pro ele está com um machucado" e só, nada mais, sem perguntas, sem estranhesa, sem desconforto era só um machucado, me senti menor que os pequeninos porque meu olhar foi de dó, e o garoto não é um coitado ele só tem um "machucado". A escola é um espaço importante onde os valores devem ser trabalhados desde sempre mas não como conceitos a ser conhecidos, esse trabalho deve ser natural, contínuo e de preferência de uma maneira lúdica. Vou relatar o que aconteceu com minha filha durante o seu período na pré escola, bem, ela sempre foi a crinça mais alta da turma e por isso era sempre a última da fila até que um dia ela argumentou com a professora que não queria mais ficar sempre no final da fila, a professora então começou a fazer um rodízio e cada dia uma criança era o ajudante da aula e por isso era o primeiro da fila. Nessa situação eu posso observar algumas coisas por exemplo, minha filha talvez só tenha se aberto sobre o que sentia porque em casa ela tem abertura para falar, para se expor, a professora, mesmo trabalhando com crianças pequenas, soube ouvir e de uma maneira natural resolver o que estava incomodando minha filha pois, penso que se ela ficasse na classe argumentando que a ordem da fila ia mudar porque as crianças maiores também querem ir na frente aí sim minha filha ia se sentir diferente e as outras crianças também a veriam diferente e isso talvez viesse a propíciar uma situação de bullyng.

MÃOS TALENTOSAS

Acabei de assistir o filme "Mãos Talentosas" que conta a história verídica de um médico neurocirurgião americano e toda descriminação que ele sofreu por ser pobre mas principalmente por ser negro, me marcou muito a triste fala de uma professora que recrimina os colegas brancos porque como um negro pode ter tirado as melhores notas, mas me marcou mais ainda a determinação da mãe do garoto que mesmo analfabeta motiva, incentiva o filho sempre com muito diálogo e palavras de superação e fois assim que com muita persistência ele conseguiu mudar um roteiro de vida que a elite dominante já imaginava para ele. Mudar é algo que nos assusta, é muito mais comodo ficar como está, não refletir sobre convicções, simplesmente deixar rolar, mas se nos professores queremos trabalhar valores na educação precisamos mergulhar dentro de nós mesmos e estarmos abertos aos valores propostos que nem sempre são os nossos, é preciso superação de valores arcáicos que nos acompanham devido a nossa formação.

CONSCIÊNCIA CIDADÃ


Passamos por mais uma eleição e devido a história da presidenta eleita muito se falou sobre a Ditadura período em que só se falava o que os ditadores queriam ouvir, período em que as pessoas eram mais sobra do que humanas pois não tinham autonomia e muito menos direitos. Na década de 90 já com a Educação em Direitos Humanos houve um fortalecimento dos processos de redemocratização e temas como cidadania, liberdade e diversidade foram muito abordados. A globalização também foi muito importante pois os recursos tecnológicos ficaram acessíveis, a riqueza de informações e a diversidade cultural passou a ser algo cotidiano, assim como o reconhecimento das deseigualdades, da má distribuição de rendas, da destruição de recursos naturais. O professor deve estar atento a tudo que ocorre no planeta e saber orientar seus alunos de forma que eles percebam que fazemos parte de um todo e que nossas ações seja dentro da escola, no bairro, na cidade estão relacionadas e que todo gesto é importante visando termos um desenvolvimento sustentável. Gosto de conversar com meus alunos sobre o quanto é importante termos conhecimento de nossos direitos para que quando necessário saibamos revendicá-los mas, precisamos também saber os nossos deveres e que não adianta só reclamar, cada um tem que fazer a sua parte, um papel de bala no chão é um, mas se todos pensarem assim e resolverem jogar um papel de bala no chão, o que teremos?

GARANTIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DO SER HUMANO

A frase é tão maravilhosa, tão perfeita que até parece refrão de contos de fadas, pena que como nos contos de fada ela ainda não é uma realidade pois ainda estamos longe de garantir direitos iguais à todos os cidadãos. A desigualdade social está ai se mostrando a olho nu, nós é que muitas vezes fazemos de conta que não é conosco, "usamos óculos escuro?", quantas vezes somos assediados por crianças em semáforos, vemos indigentes caidos nas ruas, e o que fazemos, nada, até na hora de votar e talvez garantir alguém que tenha condições de melhorar a distribuição de renda no país nós muitas vezes anulamos o voto. Lembro-me que no ano passado um dos meus alunos começou a faltar com muita frequencia e cada dia era uma desculpa diferente até que, sem saber que se tratava da minha casa, ele apertou o interfone ao ir atender para minha surpresa lá estava ele com uma cesta nas mãos vendendo cocada. Fui averiguar a situação e descobri que ele morava com uma avó já de idade, sem recursos, e ai o que fazer? Não é fácil se deparar com situações assim, ele é uma criança não pode trabalhar mas vai passar fome?; não pode faltar da escola mas precisa garantir o sustento. A escola orientou a avó e ele conseguiu receber bolsa escola, mas esse é um caso entre tantos.O pior é que tentam desde sempre justificar essa desigualdade onde poucos têm muito e muitos têm pouco. Na Idade Média por exemplo a igreja católica pregava igualdade entre os homens mas baseandos-se na moral inalienável, usava a vida sobrenatural para justificar atrocidades que eram cometidas. A desigualdade social , a má distribuição de renda, é o grande obstáculo para a realização dos direitos humanos no continente latino-americano. A globalização neoliberal acentuou o individualismo e enfraqueceu movimentos coletivos. A Declaração dos Direitos Humanos procurou garantir a dignidade levando em conta a diversidade individual e coletiva dos grupos humanos, o que sabemos que para se tornar uma regra ainda será necessário transpor muitas barreiras. O Brasil tem uma história de exclusão desde a sua colonização, a melhor maneira de procurarmos alcançar o almejado pela Declaração dos Direitos Humanos é com uma Educação em Direitos Humanos e para isso o professor tem que estar aberto a refletir a sua prática e adequá-la à realidade de seus alunos, definir objetivos e metas para alcançá-los, etapas a seguir visando uma cultura de respeito e resistindo a ideologia neoliberal, individualista.

A missão do Professor vai além de ensinar!

Estava refletindo sobre Valores e Educação tema abordado por Clodoaldo Meneguello Cardoso, e creio que valores não se transmitem como um conteúdo programático a ser cumprido e sim com exemplos, atitudes. O professor é atentamente analisado e testado pelos alunos que de forma crítica fazem seus julgamentos a nosso respeito, mesmo que inconscientemente e são capazes de argumentar sobre nossas ações, é como se estivessemos em uma redoma de vidro e temos que ter a consciência de que nossos atos são modelos de comportamento e por isso não devemos ter um discurso bonito sobre temas como diversidade, aceitação, respeito ao próximo e na prática agirmos como donos da verdade absoluta, sem direito ao diálogo. Estamos no terceiro milênio, cheios de esperança de que os direitos fundamentais do ser humano vão ser satisfeitos como a realização de promessas de felicidade mas, se prestarmos atenção, não precisa ir longe, dentro da sala de aula percebemos que ali nua e crua diante de nossos olhos se mostram realidades que nos abalam e que por isso muitas vezes não fazemos questão de prestar atenção, quantas vezes não ouvimos ou até falamos na sala de professores "todo mundo tem problemas, cada um com o seu" como se isso aliviasse nossa consciência, nossa culpa. Certa vez estava eu conversando com um aluno após uma avaliação e ele me relatou sua rotina de abandono pelo pai alcoólatra, órfão de mãe, responsável pelo irmão caçula e sua luta pela sobrevivência pegando coisas, muitas vezes até alimento, no lixão. Diante do conhecimento dos fatos a comunidade escolar se mobilizou e tomou todas as providências para ajudar aquela criança. As vezes penso como foi bom eu ter ficado ali e dado um pouco de atenção ao meu aluno, não ter fechado as portas à um pedido de socorro.

UM SONHO POSSÍVEL

Estive refletindo sobre a Tolerância boa e Tolerância ruim de Norberto Bobbio e veio à minha mente o ano de 1.999 quando devido a reorganização mudei minha sede para uma escola que só tinha salas de primeira a quarta série e conheci uma professora que trabalhava usando o método do construtivismo, " do jeito que ela entendeu", e sua condescendência diante do erro era algo que me chocou pois ela simplesmente aceitava tudo sem tentar levantar as hipóteses das crianças para do erro chegar ao certo, crianças que foram formadas acreditando que à tudo deve-se ser tolerante, sem que haja discussão, diálogo sobre os assuntos talvez não desenvolva a intolerância boa, a rejeição às desigualdades. Em seguida, como é mágico o cérebro humano, lembrei-me do filme "Um sonho possível" baseado em fatos verídicos, cuja imagem ilustra esta postagem. No filme uma mulher muito rica que adota um rapaz pobre, negro e abandonado no mundo pelos pais usuários de droga, ela desconstrui dentro dela mesma e de todos que a cercavam o conceito de que a primeira impressão é a que fica,de que o diferente deve ser afasto pois se não é igual é ruim, de que "filho de peixe peixinho é", foi sofrido mas ela consegui matar dentro do seu seio familiar a semente do preconceito social, e quem sabe com o filme ela tenha plantado uma nova semente a da inclusão, da aceitação ou pelo menos tenha feito muita gente repensar atitudes e valores e que a nossa realidade é muito concreta e se explica pelas nossas ações e não há uma realidade paralela que detem a perfeição. Nossa como é difícil admitir que como educadora já me peguei julgando pela aparência, "coitadinha, pequenininha, chegando até a ser mirradinha, totalmente estrábica e extremamente quieta, deve ter problema de aprendizagem" e que tapa de luvas de pelica quando a garota vai bem na avaliação diagnóstica, ela me mostrou que o valor da pessoa não está na aparência, mesmo que você esteja agindo na maior boa fé.

TOLERÂNCIA ÀS DIFERENÇAS

Tolerância, respeito falar é fácil mas colocar em prática são outros quinhentos. Fomos criados e temos uma formação onde há o dominante e o dominado, o superior e o inferior, e não temos um corretivo para memórias, lembranças estão lá e pronto. Lembro-me de um colega de quarta série, negro e com gestos afeminados ele desde aquela época me parecia o "alvo" da professora, não que ele fosse um santo, mas o que ela fazia nos dias de hoje dava processo, reportagem no Datena. Já no colegial lembro-me de verdadeiras batalhas verbais travadas entre duas colegas, uma Testemunha de Jeova e a outra Católica, elas não respeitavam a liberdade não só das mesmas como das outras alunas e inclusive dos professores, queriam a qualquer custo fazer valer suas opções religiosas. Hoje em minhas aulas procuro me policiar para não querer impor meu modo de pensar, gosto de conversar com meus alunos, creio que se eu quero respeito preciso respeitar, dar à eles a oportunidade de se expressarem, deixá-los pensar com liberdade, acho que minha função é mostrar que o mundo nos oferece opções e que somos responsaveis pelas nossas escolhas.

NOSSA PRÁTICA PEDAGÓGICA

Estivemos refletindo sobre nossa leitura do livro recomendado e realmente como tudo mudou tão rapidamente, e continua mudando, achamos que temos uma realidade antes da internet da globalização e pós internet. Hoje tudo ficou mais próximo, temos acesso a informações que antes eram distantes da nossa realidade. Durante nossas aulas tivemos a oportunidade de realizar com nossos alunos pesquisas, visitas à museus, conhecer um leque imenso de diversidade cultural, outros costumes, outras visões do mundo, mas como educadorores achamos importante termos certos cuidados e não deixarmos de transmitir aos nossos alunos a importância do diálogo para que haja uma relação respeitosa entre as pessoas pois somos diferentes e é isso que nos faz humanos, quem então tem direito de julgar qual é o jeito certo de pensar, de sentir, de viver. É preciso reflexão e atitude quando se trata de aceitar as diferenças. Professores, por exemplo, precisamos cair na real que em uma sala de aula encontramos todo tipo de aluno e precisamos ouvi-los, para que tenhamos algum sucesso, não adianta dar uma aula sem saber para quem você esta falando. Gostamos de ir à palestras e cursos de capacitação porque as vezes, mesmo quando o tema já foi muito debatido, é como um chacoalhão que nos faz pensar " Ei você não tem feito isso" outras vezes " Que bom estou no caminho certo". É não é fácil por isso é importante gostar do que faz.

segunda-feira, 28 de março de 2011

QUEM SOMOS NÓS

Somos professores das redes públicas municipal e estadual, residentes em Porto Feliz- SP. Alunos do curso de Educação para Diversidade e Cidadania, estamos empenhados em construir este blog para desenvolver assuntos relativos ao nosso curso, ao que aprendemos durante todo este período.

Na foto ao acima está a Simone Aparecida Ribeiro da Mota Almeida, 47 anos, Professora e Diretora de Escola. Está na educação há 25 anos, já trabalhou como Coordenadora Pedagógica e ocupou o cargo de Dirigente Municipal de Educação no período de 2005 -2008.

Edilaine Aparecida Alamino Bergara da Mota, 40 anos, Professora das séries iniciais do ensino fundamental e das séries finais, ministrando a disciplina de Matemática. Está na educação há 21 anos, sendo titular de cargos da rede estadual e da rede municipal. Ambas trabalham na Escola Municipal de Ensino Fundamental Prof. Domingos de Marco.

O outro participante do grupo, Miguel Arcanjo de Almeida, 50 anos, é professor de Educação Física, das redes públicas, municipal e estadual. Formado também em História e Pedagogia, milita na política da cidade, tendo sido Vereador de 2001 à 2008. Também exerceu o cargo de dirigente municipal de educação no ano de 2009.

Está na educação há 21 anos. Já desenvolveu diversos projetos, entre eles Os Jogos da Cidadania, projeto que integrava a saúde, educação e esporte, tendo como foco maior o combate à Dengue.

Também foi presidente da Casa da Criança, instituição filantrópica que cuidava de menores desamparados, onde participou por mais de vinte anos.

Temos orgulho em dizer que pertencemos a mesma família!