
As pessoas não são iguais, somos todos diferentes e merecemos ser respeitados em nossas diferenças e temos que ter garantido nossos direitos, com relação a educação não só ao acesso a escola mas principalmente na qualidade de ensino. Gosto da pensamento de Santos (1.995) quando afirma que "
temos direito à diferença, quando a igualdade nos descaracteriza". Me faz lembrar de um acontecido em uma escola que eu leciono quando ao escolher a cor do uniforme da fanfarra e das balizas foi sugerido, pelos alunos, pink e preto, alguns colegas ponderaram que a maioria das escolas do município usam as cores verde ou azul, então um colega falou "
Se é para fazer igual melhor não fazer" e nós aceitamos a sugestão dos alunos e o desfile foi um sucesso, inclusive a foto é a ilustração da postagem. Se queremos pensar e fazer uma educação voltada à cultura da paz precisamos acolher as diferenças procurando atender as necessidades especiais de cada um, pois educação é um direito humano fundamental, num dos cursos de capacitação que participei o professor sugeriu que nós nos colocassemos no papel de alguém que possui uma deficiência física, eu tentei andar de cadeira de rodas e Meu Deus quanta dificuldade, que peso, é preciso ter uma força muscular muito grande para conseguir movimentar a cadeira, fui subir uma rampa e não consegui, a cadeira voltou, por isso é preciso estarmos sempre atentos para a forma como estamos tratando a inclusão pois se não atendermos as necessidades do educando corremos o risco de excluir ao invés de incluir, de acolher, de dar condições sem mimos facilitadores mas fornecendo recursos para que o aluno tenha condições de caminhar e progredir numa aprendizagem realmente significativa. Atos de desigualdade sempre ocorreram e sempre foram justificados de forma a torná-los aceitos pela sociedade, veja a história do Brasil com todo sofrimento e humilhação aos quais os negros foram submetidos e a igreja julgava correto porque eles eram seres que precisavam se purificar. O monopólio da igreja foi presente durante muito tempo na Idade Média mas no séc XVI com a refoma religiosa surgiram vários nomes, como o de Martinho Lutero, que defendia uma educação universal e pública mas isso não aconteceu pois o que ocorreu foi uma educação básica para a classe trabalhadora e uma educação diferenciada para a elite, o que não fica muito distante da educação dos tempos capitalistas onde os jovens das classes populares são preparados para o trabalho e os jovens da elite cursam os melhores universidades federais. Com a Revolução Industrial (séc XVII), na França, e a entrada de máquinas nas fábricas começaram as primeiras reivindicações de direitos entre eles o direito à escola pública e assim surge a escola tradicional, com influencia dos jesuítas, como uma solução para a ignorância e com a finalidade de transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade. Contrapondo-se a esse modelo surge Jean Jacques Rousseau que prioriza o aluno como criança e não com um adulto em miniatura era o Iluminismo mas continuamos tendo uma escola para o povo e outra para a elite.Não muito diferente da nossa realidade, hoje quem consegue pagar uma escola com mais recursos para seus filhos se não a elite. Até que no séc XIX surge o movimento da Escola Nova, na Europa e Estados Unidos, que se opunha ao modelo tradicional e visava ampliar o acesso a todos, nossa educação até o séc XX seguiu um modelo autoritário, excludente, os autos indices de analfabetismo começaram a incomodar então na Constituição de 1988 a educação passou a ser direito de todos e dever do Estado e da família, contudo já estamos no séc XXI e ainda não conseguimos garantir a universalização da educação não só no acesso mas na qualidade, no Brasil ainda há uma distorção entre valores proclamados e valores reais, ainda convivemos com a exclusão dos considerados fora do padrão homogeneizador mesmo com todo o avanço tecnológico a educação ainda tenta se livrar das marcas de uma história de educação tradicional. Educação como um direito humano fundamental? É o acesso a educação uma porta para a garantia de outros direitos pois umas pessoa letrada tem muito mais condições de lutar pelas suas realizações, de lutar por melhor distribuição de rendas, por uma vida mais digna, numa formação de cidadão consciente de sua importância individual e da importância da coletividade. Mas e nós professores estamos preparados para a democratização da educação? Fomos formados e preparados para a inclusão? Ao meu ver não pois somos frutos de uma educação tradicional mas isso não deve ser uma porta fechada para a nova situação que se apresenta, muito pelo contrário é uma oportunidade para repensarmos nossa prática, para refletir que diante de um mundo globalizado onde as pessoas têm acesso a todo tipo de conhecimento, onde se pode através da Internet conhecer todos os lugares numa viagem virtual, aceitar que pessoas não tenham direito a educação, nós professores também devemos cobrar do governo que nos de cursos de capacitação, que nos ajude a ter toda condição de fazer o melhor pelos nossos alunos, não podemos mais deixar que a história da educação no nosso país continue marcada pela desigualdade de oportunidades, o que vem se arrastando a anos com os negros, índios, mulheres, pobres, etc. Na Conferência Mundial sobre Educação para Todos na Tailândia, em 1990 e coma Declaração de Salamanca o governo brasileiro assumiu o compromisso de construir um sistema educacional de inclusão social. Então podemos pensar educação inclusiva e educação como um direito fundamental tendo como parâmetro a diversidade humana. Na última década muitos foram os documentos relacionados a compromissos com a educação mas o mais importante é que além do comprometimento com acesso, qualidade, igualdade houve uma determinação de prazos para que as coisas se concretizem.
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