terça-feira, 29 de março de 2011

UMA ESCOLA QUE ACOLHE

A foto que ilustra a postagem é da EMEF Prof. Domingos de Marco na acolhida aos alunos no dia 07/02/2011. Quando pensamos em educação inclusiva não devemos nos prender a visão de pessoas com deficiência pois ela é aquela que procura dar espaço, dar voz, a todos aqueles que pelos mais variados motivos, como cor, sexo, religião, etc, são alvos de estigmas sociais. Uma escola com educação inclusiva é aquela que realmente acolhe, valoriza e respeita a diversidade e não aquela que tolera, como se estivesse fazendo um favor, os que são por ela considerados fora do padrão normal. Todo movimento, por menor que seja, visando uma transformação de comportamento e formação de valores sempre irá contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e a escola é um espaço privilegiado que deve implementar uma cultura do respeito às diferenças. Não é atoa que Pluralidade Cultural foi um dos temas transversais propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais ( Brasil, 1997) que propõem um questionamento sobre a formação do povo brasileiro, os diferentes costumes, religiões, as desigualdades sociais, preconceitos que muitas vezes são camuflados por uma falsa ideia de igualdade, enfim um país de pluralidade social e cultural. O preconceito não algo inato ele é aprendido e leva a discriminação, à exclusão e à violência. É preciso que façamos uma auto análise e reconheçamos nossos preconceitos e não camuflá-los com uma máscara de aceitação e de direitos iguais, só assim não teremos um discurso vazío sem credibilidade e podemos ter um convívio de respeito, de diálogo e troca com nossos alunos, o que não nos deixa livres do conflito, pelo contrário, mas é esse conflito de opniões que enriquece o trabalho e que nos permite argumentar sobre direitos e deveres, e procurar resolve-lo mostrando diferentes lados de uma mesma situação, os pontos positivos e negativos, sem violência mas sim de forma pacífica, promovendo a autocompreensão essa é a postura de um professor aberto a trabalhar uma educação inclusiva, um professor orientador, que promove o diálogo e a participação construtiva do aluno garantindo a interação professor-aluno. Sabemos que muitas vezes há um descontentamento por parte do professor ou do aluno o que pode causar indisciplina, sentimento de frustação e até violência física ou psicológica contudo nada melhor do que o diálogo para esclarecer situações conflitantes, posicionar atitudes e tomadas de decisões, se queremos realmente que nossos alunos aprendam precisamos ouvi-los, ter autoridade não é sinônimo de autoritarismo, de verdade absoluta, se queremos ser respeitados precisamos respeitar. A postura do professor pode colaborar ou não para o estimulo da esperança, quando se busca cotidianamente o saber, a verdade e a justiça visando a verdadeira humanização do homem e minimizando a violência, buscando sempre a cultura da paz. Quero comentar um ato de preconceito que sofri a alguns anos, bem eu sou uma das tantas professoras PEB 1 que fazem parte do convênio Estado/Município e escolhi minha sala em uma escola onde todas as professoras eram efetivas do município, meu Deus só eu sei o que passei, elas me consideravam um invasora, era como se eu fosse um ser diferente, intrusa e eu só estava gozando um direito, o direito de trabalhar, sofri rejeição e por muitas fui tratada como a desigual, mas com o tempo foram me conhecendo e tudo passou. Se para mim, pessoa adulta, não foi fácil devemos ficar atentos em nossas salas pois para nossas crianças é muito pior. Penso nos adolescentes, como a cabeça cheia de questionamentos, com tantas mudanças físicas se ainda tiverem que conviver com preconceitos, com bullying, tudo se torda um fardo e, sem alegria, sem prazer as coisas deixam de ter sentido.

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